quinta-feira, 2 de maio de 2013

EDUCAÇÃO, NATUREZA E LIBERDADE vs. ALIENAÇÃO, CAPITALISMO E ESCRAVIDÃO IDEOLÓGICA


Antes da consolidação do capitalismo como um sistema econômico vigente na maior parte dos países do mundo, antes mesmo do escambo – um sistema econômico baseado nas trocas –, os seres humanos já se organizavam economicamente de formas primitivas. Agrupamentos humanos se mobilizavam em torno de atividades imprescindíveis à sua sobrevivência, tais como a caça, o plantio, a coleta de alimentos, construções de habitações rústicas, dentre outras tarefas. Tudo isso antes do surgimento da agricultura.

                         O escambo é um sistema econômico baseado nas trocas.

No entanto, um fato incontestável é que, desde aqueles tempos, como ainda hoje, a Terra provê todo tipo de recurso que os seres vivos em geral, inclusive nós, necessitam para viver. Respeitando a natureza, bem como a preservando e aprendendo suas leis e princípios básicos, tornamos-nos capazes de suprir todas as nossas necessidades sabiamente, com ela coexistindo de modo realmente sustentável, livres, felizes e plenos, tal como o homem da pré-história fazia e algumas tribos de hoje, consideradas “primitivas” e que pouco ou nenhum contato tiveram com o homem branco e a civilização ocidental, ainda o fazem.

Após as Revoluções Industriais mundiais, o ethos consumista, trabalhista e tecnológico inerente ao sistema capitalista enraizou nas mentes e hábitos da maioria dos seres humanos. Desde então, muitas concepções humanas passaram a vigorar, tais como: a vinculação entre o “ter” e o “ser”; a “naturalização” do trabalho assalariado de 8 horas diárias; o acesso às opções de lazer e consumo pré-concebidas pelas pessoas mais poderosas que compõem o capitalismo (ou seja, as elites econômica e política); a obsolescência planejada (ou seja, a maioria dos produtos que adquirimos hoje, apesar de oferecerem longos períodos de garantia, já são produzidos com uma CURTA DURABILIDADE de fábrica, estragando muito mais rápido que os produtos antigos); a obsolescência simbólica (ou seja, aquela “vozinha” na mente da gente que vem da propaganda dizendo que seu celular, comprado há apenas 1 ano, já não serve mais, é atrasado, não faz isso, não faz aquilo...); o abandono de um raciocínio crítico mais aprofundado, em detrimento de pensamentos rápidos, superficiais, rasos e uma aceitação passiva de todo tipo de pseudo-ideologia, extenuantemente divulgadas pelas elites político-econômicas mundiais através dos mais diversos meios de comunicação de massa; o costume do convívio em lugares artificiais (tais como shopping centers, cujo objetivo é, mais uma vez, uma manipulação ideológica consumista da maioria das pessoas), dentre diversas outras concepções por nós docilmente aceitas e naturalizadas.

O ethos consumista, amplamente estimulado pelas propagandas de empresas dos mais diversos produtos.

Tudo isso criou nos seres humanos uma FALSA IMPRESSÃO de que outras formas de pensamento, ou de estilo de vida, seriam impossíveis. É como se tudo que atualmente existe só poderia existir do jeito que é, e jamais de outras formas diferentes. Porém, a atual forma como se configura social, política e economicamente o mundo foi idealizada e consolidada aos poucos. Na verdade, as concepções econômicas, sociais e políticas que hoje prevalecem no mundo são, em sua maioria, as concepções de pessoas das elites (econômicas, sociais e políticas) e não do povo. Convém lembrarmos também que novos desafios, dificuldades e conflitos ideológicos surgem, muitos deles como consequência das “engessadas” concepções políticas, econômicas e sociais vigentes, em grande parte falaciosas. Como exemplos dessas consequências, podemos notar os impactos ambientais causados ao Planeta Terra (e aos seres vivos e não-vivos, como as rochas, o solo, etc, que dele fazem parte) pela ganância capitalista de megaempresários e pelos políticos que os representam e defendem seu interesse em Brasília; ou as doenças tidas como comuns hoje em dia, tais como a depressão, o transtorno de ansiedade, o transtorno bipolar, a síndrome do pânico, muitas delas oriundas de um estilo de vida massificante, de uma profissão “mecanizante” (vide filme Tempos Modernos, de Chaplin) ou opressora, de uma vida sem sentido vivida para conferir sentido àqueles que estão no topo das pirâmides econômicas ou políticas; ou o isolamento social proporcionado por um uso exacerbado dos computadores e redes sociais falaciosas que, apesar de “aproximarem” virtualmente as pessoas, muitas vezes se limitam a este espaço, sem que se encontrem face-à-face com seus amigos/colegas/parentes; ou, ainda, a perda da cultura tradicional indígena devido ao excesso de contato com o homem branco e com representantes de empresas responsáveis por construções gigantes, tais como a Rodovia Transamazônica ou a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte; dentre diversas outras consequências.

Os construtores da Usina de Belo Monte têm interferido ampla e negativamente na cultura e vida dos indígenas da região.

Entretanto, novas concepções, estilos de vida e práticas cotidianas são perfeitamente possíveis. Ecovilas (tal como a maior ecovila do mundo na Escócia, chamada Findhorn), comunidades autossustentáveis, tecnologias caseiras que englobam energias REALMENTE limpas (tais como aquecedores solares caseiros, reaproveitamento de água de chuva, compostagem, fogão solar, casas ecologicamente sustentáveis, dentre outras tecnologias), assim como o aproveitamento dos potenciais oferecidos pelo meio ambiente, de acordo com seus princípios naturais e sem que interfiramos de modo destrutivo nele, economia solidária, ecoeconomia, dinheiro alternativo/verde (tal como o sistema lets), redes de ajuda recíproca, enfim, uma vida independente dos sistemas humanos vigentes, harmônica na relação seres humanos/natureza, contemplativa, mais feliz e independente face às elites, não é um mero devaneio ou alucinação, mas sim uma possibilidade. Porém, para que esse tipo de realidade seja alcançada, faz-se necessária a libertação dos seres humanos de suas correntes ideológicas “invisíveis”. E como isso poderia ocorrer? Vejamos abaixo, um pouco mais sobre isso.

Tecnologias alternativas e caseiras, tais como o fogão solar, permitem-nos uma autossuficiência muito grande em relação ao sistema econômico vigente, utilizando os princípios da natureza sem afetá-la negativamente.

Primeiramente, é imprescindível que não nos acostumemos com todas as explicações prontas, que são nos empurradas o tempo todo. Que não nos acostumemos com tudo que “querem” que façamos, pensemos, sintamos. Ou seja, É PRIMORDIAL QUE REFLITAMOS SOBRE TODAS AS COISAS, QUE AS QUESTIONEMOS, E, PRINCIPALMENTE, QUE NOS TORNEMOS AGENTES TRANSFORMADORES DE NOSSA PRÓPRIA VIDA, AUTORES E NÃO MERAMENTE PERSONAGENS COADJUVANTES.

Em segundo lugar, e tão importante quanto o primeiro passo, é a adoção, por parte de cada pessoa do mundo, de um novo paradigma em substituição ao ethos vigente. Esse novo paradigma deve ser calcado em bases não apenas sistêmicas ou holísticas, mas principalmente ECOLÓGICAS, de modo que sejamos capazes de refletir profunda e continuamente sobre nossas ações, de modo a levar em consideração suas possíveis consequências, uma vez que nos relacionamos com (e dependemos de) tudo que nos rodeia no Planeta. A esse respeito, a corrente ecofilosófica criada pelo filósofo norueguês Arne Naess, na década de 70, e denominada Ecologia Profunda, fornece bases bastante sólidas para a reflexão e consequente construção de uma nova sociedade, calcada em outros tipos de valores e mais harmônica para todos os seres que convivem no Planeta Terra.

Na concepção filosófica da Ecologia Profunda, o paradigma antropocêntrico é substituído pelo paradigma ecocêntrico, no qual todos os seres vivos e não vivos possuem um mesmo valor intrínseco à sua existência, não permitindo que deles seja feito uso humano, a não ser para satisfação de necessidades BÁSICAS.

No entanto, para atingirmos esse patamar filosófico dependeremos profundamente de uma educação forte de base. Mesmo em casa, antes das crianças começarem a frequentar as escolas, os pais precisam trabalhar a percepção e reflexão crítica das crianças e, para isso, têm de ser os “modelos” que querem que seus filhos sigam, mudando, assim, suas próprias ações e posturas cotidianas para uma posição ética, no que diz respeito a um viver ecológico profundo. Afinal, através do discurso hoje apresentado pelos setores dominantes da sociedade, que pregam medidas muito superficiais para a preservação da natureza, o que presenciamos é um não alcance de seus objetivos e um Planeta Terra agonizante (por mais que a mídia em geral insista em divulgar o contrário, ou em omitir a gravidade do que realmente tem acontecido).



Sugestões de leituras que podem contribuir significativamente e que possuem relação com este artigo:

- Desenvolvimento ao Ponto Sustentável (Ricardo Braun, Editora Vozes);
- Ecoeconomia – Uma Nova Abordagem (Hugo Penteado, Editora Nacional);
- A Teia da Vida (Fritjof Capra, Editora Cultrix);
- Além de outros autores, tais como Humberto Maturana, Gregory Bateson, Lester Brown, etc.


Paulo Lütkenhaus

sexta-feira, 5 de abril de 2013


ONG OS INTERNAUTAS: PROPOSTA DE INCLUSÃO DIGITAL COM ENERGIAS LIMPAS E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

Com uma proposta diferenciada de elaborar e propor projetos socioambientais com eixos nas áreas de educação, comunicação, cultura e inclusão digital, sempre utilizando energias limas, a ONG  OSINTERNAUTAS.ORG, caracterizada institucionalmente como uma "Organização Socioambiental, Cultural, de Educação, Comunicação e de Inclusão Digital para Ecopolíticas", situada no Balneário Água Limpa, em Itabirito/MG, surge com propostas, no mínimo, interessantes. Projetos ousados e inovadores, tais como o que pretende levar aos índios da tribo Apiakás, em Alta Floresta/MT, a instalação de coletores solares, em substituição ao gerador elétrico movido à gasolina, a eles entregue pela FUNAI (Fundação Nacional dos Índios), instruindo-os quanto à manutenção das placas, além de orientá-los quanto ao descarte correto de resíduos eletrônicos (tais como pilhas e bateriais, utilizados em certos equipamentos eletrônicos pela tribo), integram o rol de propostas apresentados pela ONG em busca de financiamentos.




Com base em uma postura ambientalmente correta, OS INTERNAUTAS tiveram o lançamento de sua ONG durante o evento denominado Cúpula dos Povos, ou RIO + 20, em 2012, no Rio de Janeiro/RJ. Durante o evento, OS INTERNAUTAS se destacaram por constituir o ÚNICO dos participantes do evento a utilizar APENAS ENERGIAS LIMPAS em sua tenda. Jornalistas internacionais, bem como estudantes, o representante da tribo Apiakás Darlisson Apiaká, e até mesmo membros da ONG SEA SHEPHERD estiveram na tenda dos INTERNAUTAS, seja para carregarem seus equipamentos através da energia fotovoltaica ou da turbina eólica da ONG ou, como o caso de Darlisson Apiaká, para reivindicar apoio junto a ONG no desenvolvimento do projeto de instalação de placas fotovoltaicas em sua tribo.


André Picardi e Darlisson Apiaká durante a Cúpula do Povos, Rio +20


Contando com uma equipe ampla, que integra diretorias responsáveis pelos diversas áreas de atuação da ONG, OS INTERNAUTAS surgem para somar esforços na construção de um mundo melhor, com energias limpas e socioambientalmente correto. Agora é aguardar pelos próximos passos e lutas dos INTERNAUTAS, logrando conquistas compartilhadas por todos os seres que, juntos, constituem nosso querido Planeta Terra.


Paulo H. M. Lütkenhaus, em 05/04/2013.