quinta-feira, 21 de abril de 2011

DESMISTIFICANDO O MITO DO HEROÍSMO DA RECICLAGEM

Atualmente, ou melhor, há aproximadamente 2 décadas, tem-se ouvido – e visto – cada vez mais, as empresas, indústrias e demais setores econômicos da sociedade falarem em “responsabilidade ambiental” (além da “responsabilidade social”, que não é o foco deste artigo). Com o advento da crescente – embora ainda não suficiente – conscientização da sociedade sobre a necessidade de conservação e preservação do meio ambiente e de seus recursos, desde, aproximadamente, a época da ECO 92 (*), os segmentos econômicos vêm adotando políticas e práticas um pouco mais ecologicamente – embora, repito, ainda não suficientemente – corretas, muitas delas com um simples objetivo: passarem para os seus clientes e consumidores uma imagem empresarial íntegra, ética, bonita. Mas... elas realmente são assim mesmo??? É o que veremos abaixo no que diz respeito especificamente à Política dos 3 R’s (Erres).

Desde 1983, por ocasião da Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU e presidida pela então primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brudtland, foi proposta a integração entre o desenvolvimento econômico e as questões ambientais, estabelecendo, dessa maneira, o conceito de DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, que significa “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.” (FONTE: http://www.akatu.org.br/Temas/Consumo-Consciente/Posts/Linha-do-tempo-do-Consumo-Consciente-e-da-Sustentabilidade). De maneira a instrumentalizar a prática deste conceito, foram assinadas durante a ECO 92 uma série de documentos e tratados sobre biodiversidade, clima, florestas, desertificação, acesso e uso dos recursos naturais do planeta, além de ser concebida a Política dos 3 R’s, ou seja: Redução-Reutilização-Reciclagem (exatamente nesta ordem). Dessa forma, para que a natureza e seus recursos fossem realmente preservados, bastaria que nós, seres humanos, repensando os nossos hábitos e práticas, colocássemos em nosso dia-a-dia o costume de não consumirmos compulsivamente, de REDUZIRMOS nosso consumo, de adotar em nossas vidas a prática do Consumo Consciente (**). Após adotarmos essa prática, aí sim partiríamos para o segundo “R” da política, ou seja, REUTILIZARÍAMOS materiais e produtos usando-os, muitas vezes, até mesmo em finalidades diferentes daquelas as quais são normalmente destinados (um exemplo disto são as poltronas, cadeiras ou até mesmo casas construídas de garrafas PET). Só então, depois de percorridos os caminhos dos dois R’s (Erres) anteriores é que partiríamos para o terceiro R (Erre), que é o da RECICLAGEM. Desse modo, somente depois de reduzirmos nosso consumo (evitando o consumo compulsivo e excessivo), e depois de reutilizarmos materiais e produtos é que, finalmente, destinaríamos aqueles que restaram e não puderam ser reutilizados para que sejam reciclados, voltando a ser produtos novinhos.

E por que o caminho da Política dos 3 R’s é percorrido exatamente nesta ordem? Porque somente nesta ordem é que os recursos naturais (matéria-prima e energia) são realmente poupados. Se fosse o caminho contrário eles não seriam poupados. Afinal, é bom lembrarmos que, para que seja feita a reciclagem, são necessárias, por exemplo, máquinas especializadas que tornarão possível a transformação dos materiais velhos em materiais novinhos. E as máquinas são feitas de diversas matérias-primas, como os metais, que são extraídos da natureza por meio de mineração, uma atividade extremamente impactante ao meio ambiente. As máquinas também necessitam de alguma forma de energia para fazê-las funcionarem, seja energia elétrica, calorífica (como a queima de carvão, etc). Além disso, as máquinas geralmente utilizam também a água para resfriarem peças que foram superaquecidas ou até as próprias máquinas. E sabemos bem que a água é um elemento fundamental à vida no Planeta que está cada vez mais raro, de modo que corremos o risco de uma grande crise mundial em um futuro muito breve (daqui há aproximadamente 10 anos). Além disso, as máquinas e os processos industriais de reciclagem, costumam liberar gases poluentes na atmosfera, contribuindo ainda mais para a poluição e o aquecimento global (como conseqüências, o aquecimento global proporciona fortes tempestades, derretimento de geleiras, tsunamis, furacões, dentre outras graves alterações climáticas). Outro ponto que também diz respeito ao processo da reciclagem é o transporte dos materiais que serão reciclados. Geralmente grandes caminhões (a maioria deles movidos à óleo diesel, e outros movidos a outros tipos de combustíveis derivados de petróleo) que, além de poluírem a atmosfera e contribuírem para o aquecimento global, também fazem uso de diversos tipos de matérias-primas em sua construção que são extraídas da natureza, dentre as quais podemos citar o minério de ferro e o petróleo (utilizado na fabricação das borrachas dos pneus). Tudo isto, como se pode perceber, torna-se um ciclo vicioso em que o consumo vai crescendo e a utilização dos recursos naturais também, trazendo como conseqüências a poluição, o aquecimento global, o desequilíbrio da natureza, enfim provocando um caos ambiental, ao invés de evitá-lo.

E por que então as empresas e a televisão falam tanto em Reciclagem, como se ela fosse uma espécie de “Super Heroína” que salvaria a natureza e o Planeta Terra dos problemas ambientais causados pelos seres humanos, divulgando isto insistentemente inclusive para todas as crianças? Muito simples: Porque a verdadeira preocupação deles não é com a natureza e sim com o lucro, ou seja, ganhar dinheiro. E para que isso aconteça, precisam convencer as pessoas que continuem consumindo cada vez mais, comprando, comprando, comprando sem parar e, além disso, acreditando que o consumismo não prejudica o Planeta Terra, e que ele será facilmente salvo com a ajudinha de nossa amiga “Super Heroína”: Reciclagem. E tudo isto é uma enoooorme mentira!!! A sociedade está sendo enganada!!!

Portanto, na próxima vez em que vocês ouvirem as empresas, a televisão e outros setores econômicos da sociedade (que, na verdade só buscam o lucro e nada mais!) glorificarem, elogiarem profundamente a reciclagem, como se ela fosse salvar o Planeta, vocês já sabem: É a mais pura mentira!!! O PLANETA SÓ PODERÁ SER SALVO QUANDO O SER HUMANO PARAR DE SER CONSUMISTA, QUANDO REDUZIR O SEU CONSUMO!!!

Algumas pessoas, muitas vezes ligadas a esses setores econômicos, tais como os grandes e mega empresários, até tentam argumentar dizendo que “Os seres humanos são consumistas por sua própria natureza”. PORÉM ISSO É MAIS UMA GRANDESSÍSSIMA MENTIRA!!! Basta lembrarmos quantos trilhões de dólares (ou mais) são investidos mundialmente em propaganda e marketing. Basta lembrarmos também do fato de que, há poucas décadas, foram criados cursos universitários voltados especificamente para o marketing, a publicidade e a propaganda. É pouco??? Pois então saibam que, hoje em dia, até mesmo psicólogos participam, junto a publicitários, da criação de comerciais e propagandas. Sabem por quê??? Porque os psicólogos conhecem bem quais os elementos visuais e audiovisuais exercem maior poder de sedução e influência sobre a mente humana.

Nós não seremos mais felizes se comprarmos o mais recente modelo de celular que foi lançado. Nós não seremos mais bonitos (nem mais bacanas ou legais) se usarmos roupas, calçados ou óculos escuros que “estejam na moda”. Nós não seremos mais chiques ou charmosos se bebermos as bebidas que as propagandas dizem para que bebamos, ou se fumarmos o cigarro que passou na televisão (o máximo que conseguiremos é uma cirrose, um enfisema pulmonar ou algum tipo de câncer). Isso tudo é apenas mais uma forma de nos seduzir a consumir cada vez mais, dizendo-nos que somos livres porque gastamos ou escolhemos nossas marcas, sendo que, na realidade, não estamos escolhendo ou pensando, e sim deixando que escolham, pensem e raciocinem por nós, manipulando-nos. Além disso, estaremos ajudando a destruir o Planeta mais rapidamente se seguirmos o que as propagandas, a TV e os mega empresários nos dizem para fazermos, ou seja, consumindo cada vez mais e acreditando, ingenuamente, que a Reciclagem por si só irá salvar todos nós dos problemas ambientais que nós mesmos criamos a Terra e pelos quais ela (e nós juntamente com ela) vem passando. ACORDEMOS!!!

(*) A ECO-92, Rio-92, Cúpula ou Cimeira da Terra são nomes pelos quais é mais conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro. O seu objetivo principal era buscar meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra.

A Conferência do Rio consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável e contribuiu para a mais ampla conscientização de que os danos ao meio ambiente eram majoritariamente de responsabilidade dos países desenvolvidos. Reconheceu-se, ao mesmo tempo, a necessidade de os países em desenvolvimento receberem apoio financeiro e tecnológico para avançarem na direção do desenvolvimento sustentável. Naquele momento, a posição dos países em desenvolvimento tornou-se mais bem estruturada e o ambiente político internacional favoreceu a aceitação pelos países desenvolvidos de princípios como o das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. A mudança de percepção com relação à complexidade do tema deu-se de forma muito clara nas negociações diplomáticas, apesar de seu impacto ter sido menor do ponto de vista da opinião pública.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/ECO-92

(**) Consumo Consciente – Também denominado Consumo Sustentável, este conceito criado em 1995 pela Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU tem o seguinte significado: “É o uso de serviços e produtos que respondem às necessidades básicas de toda a população e trazem a melhoria na qualidade de vida, ao mesmo tempo em que reduzem o uso dos recursos naturais e de materiais tóxicos, a produção de lixo e as emissões de poluição em todo o ciclo de vida, sem comprometer as necessidades das futuras gerações”.

FONTE: http://www.akatu.org.br/Temas/Consumo-Consciente/Posts/Linha-do-tempo-do-Consumo-Consciente-e-da-Sustentabilidade