sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Reengenharia Comportamental: a melhor solução para os problemas da Terra

Aquecimento global, acúmulo de lixo, caos nos transportes urbanos, espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção, violência urbana, pedofilia, dentre outros são apenas alguns dentre os diversos problemas presenciados pela humanidade no planeta Terra. Curiosamente, esses problemas são recorrentes e, apesar de diversas soluções propostas (científica, política e tecnologicamente), nunca são solucionados ou, pelo menos, profundamente amenizados. Por que isso acontece?

Para compreender o porquê da recorrência de vários problemas façamos uma reflexão sobre as “soluções” propostas pelos sistemas econômicos e políticos mundiais. No caso das indústrias que lançam gases poluentes na atmosfera, por exemplo, agravando o aquecimento global, há políticas que cobram a instalação de filtros de ar em suas respectivas chaminés. Porém, além desse tipo de “solução” não ser tão eficiente, traz outros problemas. Os filtros de ar são feitos de recursos naturais (matéria-prima). Sua retirada da natureza causa, muitas vezes, impactos de proporções grandiosas. Após sua extração, esses recursos são transportados até as siderúrgicas por veículos (caminhões, locomotivas, etc) que, por sua vez, também são feitos de recursos naturais extraídos da natureza e utilizam, como fonte de energia, combustíveis fósseis que lançam na atmosfera os chamados Gases do Efeito Estufa (ou GEE). Nas usinas siderúrgicas, onde são processados esses recursos naturais, o trabalho é realizado por máquinas pesadas também constituídas de grandes quantidades de matéria-prima (que também foram transportados e processados por veículos e máquinas poluentes). As máquinas da indústria siderúrgica utilizam uma grande quantidade de energia elétrica (ou de outras fontes) e são, também, emissoras de GEE na atmosfera. Em seguida, as peças usinadas são transportadas , mais uma vez por veículos que emitem GEE, até às indústrias metalúrgicas, onde os filtros de ar serão construídos. Nessas indústrias, mais uma vez o serviço é realizado por grandes máquinas que consomem grandes quantidades de energia e que, também, foram constituídas de recursos naturais transportados por veículos poluentes, usinados e processados em indústrias siderúrgicas e metalúrgicas que também lançam GEE na atmosfera. Depois de prontos, os filtros de ar ainda serão, mais uma vez, transportados por veículos que emitem gases do efeito estufa até às indústrias nas quais, finalmente, serão instalados.

Ora, analisando todo o ciclo acima descrito é muito fácil perceber que a “solução” dos filtros de ar, além de não ser muito eficiente, gera um maior consumo de recursos naturais (matéria-prima), fontes energéticas (elétricas, combustíveis fósseis, dentre outras) e, até mesmo, mais GEE lançados na atmosfera agravando, paradoxalmente, o problema a que se propõe amenizar. E o que deveria ser feito então? Instalar filtros de ar em cada etapa desse ciclo? Quem os faria? Seriam gastos mais recursos ainda? Reação em cadeia? Não seria muito mais fácil as pessoas serem educadas para o CONSUMO CONSCIENTE, de modo que evitassem um consumo
compulsivo e desnecessário de bens e embalagens, valorizassem os produtores locais em detrimento das empresas multi e transnacionais, evitassem a troca contínua e compulsiva por novos produtos (quase diariamente) lançados? Não seria muito mais fácil mudarmos nossos hábitos?

Em um outro exemplo de problema recorrente, referente ao problema do acúmulo de lixo nas grandes cidades, a “solução” geralmente apresentada (e incentivada) pela mídia é a
RECICLAGEM. Porém, a reciclagem de materiais também passa por um ciclo complexo parecido com o citado no caso dos filtros de ar, além de também gerar maior consumo de recursos naturais, energéticos e lançamento de GEE na atmosfera ao longo de todo o processo. De fato, a reciclagem, por si só, não é capaz de resolver o problema a que se propõe resolver. E, mais uma vez analogamente ao caso dos filtros de ar, o problema do acúmulo de lixo seria profunda e seriamente diminuído com a adoção, em massa, da prática do CONSUMO CONSCIENTE.

Para citar apenas mais um exemplo problema aparentemente sem solução, podemos refletir sobre o caso do caos no trânsito das grandes cidades. Basta-nos um olhar mais demorado ao nosso redor (na hora do
rush) para percebermos o óbvio: a maior parte dos veículos que ocupam as vias são veículos particulares, com um, ou no máximo dois, ocupantes em seu interior. Ao redor desses veículos, ônibus municipais entupidos de passageiros sem o menor conforto. A “solução” apresentada pelos órgãos de trânsito é, geralmente, o alargamento das vias públicas. Mas essa “solução” consegue resolver o problema?

Na verdade essa solução é provisória, momentânea, até que um número maior de usuários das vias, proprietários de veículos particulares, comecem a colocar, ao mesmo tempo, seus automóveis nas ruas. Além disso, com uma maior área urbana asfaltada há uma maior impermeabilização do solo, o que aumenta a concentração de calor local e os riscos de inundações e enchentes nos períodos de chuvas fortes. O nível de ruído e de poluição atmosférica (emissões de GEE) também aumentaria, uma vez que uma frota maior de veículos poderia trafegar nas vias públicas ampliadas. O que fazer então?

Mais uma vez a solução mais eficiente passa por uma reengenharia comportamental, uma mudança em nossos hábitos. A utilização de um sistema de caronas, de modo que cada veículo particular trafegasse com, no mínimo, quatro ocupantes em seu interior, além da construção de ciclovias extensas e de uma melhoria na qualidade dos sistemas de transporte públicos (incluindo ônibus e metrôs), melhoraria bastante o problema do caos nas grandes cidades.

Diante de todo o exposto, o leitor pode pensar “Puxa, mas não é difícil mudarmos nossos hábitos e comportamentos. Por que não fazemos isso?”. A resposta a essa questão também é bem simples. A mudança em si não traz prejuízos a nós, seres humanos. Pelo contrário, ela traz benefícios a um certo prazo. O que nos impede, muitas vezes, de adotarmos mudanças comportamentais é nosso COMODISMO, aliado a nosso EGOÍSMO e ao constante BOMBARDEAMENTO IDEOLÓGICO dos grandes grupos econômicos e políticos mundiais através das mídias, tentando nos manipular durante todo o tempo. Porém, e de modo conclusivo, afirmo que todos nós podemos e conseguimos mudar nossos hábitos diários, vencendo nosso comodismo, egoísmo e manipulações ideológicas. Somos maiores que eles e capazes de coisas inacreditáveis. Por que não usar todo esse potencial para melhorarmos tudo no nosso Planeta? Façamos, já, nossa opção. Digamos NÃO às manipulações, ao comodismo e ao egoísmo, e SIM ao
PLANETA TERRA.