segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ENFRENTANDO A DITADURA DA VELOCIDADE: fazendo micro-macro revoluções



Prezados leitores, gostaria de iniciar este artigo com uma indagação. Qual de vocês nunca sentiu, ao fazer uma viagem para um local bem tranquilo ou interiorano, uma paz de espírito tão profunda que os tenha levado a pensar: “Puxa, por que viver daquele jeito que vivo na cidade grande, sempre correndo, se quando estou em locais e ocasiões como essa, sinto-me tão bem? Por que correr tanto lá? Há realmente necessidade de viver daquele jeito?”? Com base nessa indagação e em uma reflexão acerca da mesma, pretendo mostra-los, prezados leitores, que nós podemos mudar um bocado o rumo das imposições a nós direcionadas pelo sistema vigente, sendo mais felizes, saudáveis, menos oprimidos e ajudando a transformar o mundo em que vivemos em um lugar melhor.

Além de o mundo do trabalho estabelecer uma ideologia alienante aos trabalhadores, com uma rotina desgastante e entediante, que desumaniza o ser humano, a mídia, com suas propagandas comerciais, novelas, telejornais sensacionalistas e extremamente parciais, assim como, também, os comentários da sociedade acerca das pessoas, questionando seus hábitos, pensamentos, atitudes, dizeres, como se houvesse apenas uma maneira de ser, que fosse correta e tirana, fazem-nos, na maioria das vezes, agirmos e dizermos coisas irrefletidamente, simplesmente por impulso, como se tivéssemos que fazer tudo rapidamente. São mecanismos de controle social. Desse modo, permitimo-nos uma certa violência psíquica, invasora, que só é interessante para as classes dominantes da sociedade, ou seja, para as elites econômicas e políticas. A explicação para isso é simples, através dos mecanismos de controle social as elites dificultam nosso questionamento crítico a todo esse modo de vida por elas imposto e que, em verdade, tem feito e faz mal ao Planeta e a nós mesmos, manipulando-nos frequentemente.



Ora, que tipo de consequencias surgem com isso? As mais variadas possíveis, tais como: fadiga excessiva por causa de nosso trabalho, falsa noção de preenchimento do vazio existencial com o consumo e/ou a diversão, falsa noção de aceitação da sociedade pela nossa aparência física/vestimentas/poder aquisitivo/bens, desflorestamentos e problemas ambientais variados em decorrência de um consumo desenfreado, dentre várias outras. E o mais interessante disso tudo é que, no fim das contas, sentimo-nos vazios, sem sentido de existir, infelizes, incompletos, ou seja, simples objetos.

No entanto, existe uma maneira simples e sábia de lidar com tudo isso: PARARMOS PARA REFLETIR. Sim, os leitores talvez estejam pensando que isso não seja uma atitude tão sábia assim, mas explicarei. Se cada um de nós fizer uma pausa interior e refletir sobre tudo o que nos cerca, o que nos dizem, o que nos mostram na TV, o que nos impõem em nossos trabalhos, na sociedade, etc, seremos capazes de ser mais SENHORES DE NÓS MESMOS E FREAREMOS AS CONSEQUENCIAS ACIMA CITADAS. Se consumíssemos apenas o que refletíssemos, com calma, que fosse realmente necessário para nossas vidas (através da adoção do Consumo Consciente), frearíamos o sistema, forçá-lo-íamos a se adequar a pessoas PENSANTES. Diminuiríamos também, com essa atitude, nosso impacto ambiental, seja através da diminuição da utilização dos recursos naturais (ou um uso, de fato, mais sustentável dos mesmos) ou através de uma redução na quantidade de resíduos que geraríamos em nosso planeta, muitos dos quais não biodegradáveis ou que necessitam de dezenas ou centenas de anos para se degradarem. Esse tipo de atitude também traria um verdadeiro sentido em nossas vidas, de modo que desvincularíamos o sentimento de felicidade com o de posse (desvinculação entre o “ter e o ser”), transferindo-o para o verdadeiro vínculo entre a felicidade e a paz de espírito, a amizade e o amor verdadeiros, a família, o contato com a natureza, dentre outros valores impagáveis e eternos. E, por fim, sentir-nos-íamos VERDADEIRAMENTE LIVRES, sem as algemas que costumam acorrentar-nos, que são as algemas ideológicas.

Desse modo, como afirmei no início deste singelo artigo, prezado leitor, comprovo que somos detentores das chaves que nos aprisionam. É através de micro-revoluções em nossa forma de pensar, agir, expressar e contestar, dentro de nosso próprio tempo, e não do tempo que as elites tentam nos impor a todo instante, que seremos capazes, juntos, de provocarmos uma macro-revolução. Afinal, a grande maioria das pessoas ainda não conhece a força que têm, nem mesmo sua capacidade para transformar o mundo. Acreditem, façam, vocês verão os resultados! O sistema depende de nós.


Paulo Henrique Marques Lütkenhaus, Belo Horizonte, 10 de setembro de 2012.